TESTE


FALE CONOSCO

FALE CONOSCO

RÁDIO ITABUNENSE

RÁDIO ITABUNENSE
24 HORAS ONLINE COM VC

Programa Comando em Conexão

Programa Comando em Conexão
Apresentação: Marcos Soares

Áudio Sul Web Rádio: https://www.audiosulwebradio.com.br/

Áudio Sul Web Rádio: https://www.audiosulwebradio.com.br/
Ouça através do site Radiosnet

Postagem em destaque

Datas Comemorativas - O que se comemora no dia 5 de janeiro?

Não sabe quais são as datas comemorativas do dia 5 de janeiro ? Então, confira a seguir tudo sobre o Dia da Criação da Primeira Tipografia ...

03 janeiro 2026

De todas as opções, Trump escolheu a mais ousada e prendeu Maduro

 


O que acontecerá com Nicolás Maduro agora é muitíssimo menos importante. Uma coisa é certa: não sofrerá as torturas a que tantos oposicionistas venezuelanos foram submetidos. Deverá ter um julgamento, nos Estados Unidos, como chefe de narcotráfico, um final pouco edificante, mas não brutal nem injusto.

A estonteante operação-relâmpago ordenada por Donald Trump, com bombardeios e uso de helicópteros como Blackhawk e Chinook, acabou rapidamente com a resistência que o falecido regime venezuelano e seus simpatizantes prometiam, incluindo o uso de batalhões de voluntários idosos e indígenas, que fariam os americanos “conhecer o curare”, como ameaçou o número dois do regime, Diosdado Cabello, de paradeiro no momento desconhecido.

Nem a intervenção no Panamá e a captura de Manuel Noriega, em 1989, se comparam. A Venezuela, teoricamente, é um país muito mais forte, dotado de armas e aviões fornecidos pela Rússia e pelo Irã. A prisão de Noriega, homiziado na embaixada do Vaticano e submetido à tortura de ouvir músicas americanas bem altas, sucedeu-se a uma invasão clássica, embora igualmente rapidíssima. Note-se que Noriega foi condenado nos Estados Unidos por tráfico de drogas, na França por lavagem de dinheiro e no Panamá pela morte de oposicionistas. O pequeno país, estrategicamente vital por causa do canal com seu nome, voltou a ser uma democracia e a ter uma ficha pouco louvável em matéria de drogas. É a vida.

Noriega morreu de câncer na cabeça em 2017. Irá Maduro enfrentar uma prisão perpétua da mesma natureza? Sua mulher e coadjuvante política, Cilia Flores, sofrerá sanções similares? O que acontecerá com sua coleção de bolsas e roupas Chanel?

“Muito planejamento bom e muitas tropas muito, muito boas”, disse Trump ao New York Times sobre a rapidez da “operação brilhante” e cirúrgica, sem nenhuma baixa do lado americano e ainda sem informações sobre o lado venezuelano. Ou ex-venezuelano. O lado do regime desfeito não representa mais o país, embora o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, que certamente não poderá ficar de fora das acusações de narcotráfico, tenha tentado simular continuidade ao denunciar indignação pelo “mais revoltante ultraje sofrido por um país”.

Irão forças do regime ensaiar uma resistência? Quem está à frente da Venezuela? O que farão as forças armadas e corrompidas e os batalhões populares criados ao longo dos 26 anos de chavismo?


A favor das perspectivas mais positivas existe o fato de que a Venezuela tem uma oposição coerente, saída da eleição roubada por Maduro em 2024, vencida na realidade por Edmundo González, o candidato de última hora que humilhou o ditador com 69% dos votos, obtidos via o apoio e a corajosa campanha de María Corina Machado. Qualquer transição diplomática deverá passar por um novo processo eleitoral para selar a legitimidade de novos dirigentes.

Além de María Corina, a líder inconteste, há venezuelanos importantes no exílio, como Leopoldo López e Juan Guaidó, cheios de ideias e de energia.

Todo o resto está em aberto, pois as instituições, tomadas integralmente pelo chavismo, deverão ser recompostas de cima a baixo.


O importante é que uma figura sinistra como Maduro não pode mais fazer mal a seu país e será exposto em todos seus inúmeros malfeitos, tanto num eventual julgamento no exterior quanto pelas investigações internas que seguramente serão feitas.

Até um dia antes do ataque relâmpago, ele se jactava de estar “no maior bunker de todos, oferecido por Deus”. Numa entrevista que ficará para a história do jornalismo obsequioso, promovido vergonhosamente pelo espanhol Ignacio Ramonet, do Le Monde, Maduro ainda tentou sair de fininho.

“Se querem conversar seriamente sobre um acordo de combate ao narcotráfico, estamos prontos”, propôs o presidente agora capturado. “Se querem conversar sobre petróleo, estamos prontos quando quiserem, como quiserem e onde quiserem”.


É claro que ele já havia feito estas propostas antes, contrariando a tese desenvolvida pelo New York Times de que Trump está unicamente interessado no petróleo da Venezuela. É claro que o petróleo também conta, inclusive porque está abastecendo a China, mas é de uma ingenuidade que só o antitrumpismo radical pode justificar.

Se fosse só petróleo, Trump teria um Maduro perfeitamente disposto a fazer negócios. Poderia até inventar um pretexto para desmanchar a poderosa força naval reunida no Caribe para tocar pressão sobre Maduro? É provável que sim, inclusive com o apoio da ala trompista que abomina intervenções estrangeiras.

As próximas horas definirão se a operação-relâmpago realmente evitou um envolvimento complexo e discutível para os Estados Unidos ou se o presidente bolivariano simplesmente caiu de maduro, precisando só de um empurrãozinho das forças especiais americanas. Em qualquer hipótese, Nicolás Maduro não é mais nem um retrato na parede.



Nenhum comentário: