Os banhos constantes de usuários de crack na caixa d’água que abastece o restaurante popular Abelardo Chacrinha Barbosa, na Avenida Brasil 19.001, em Irajá, Zona Norte, fez a Vigilância Sanitária do município interditar nesta quinta-feira o local. Os viciados na droga também estão fazendo suas necessidades fisiológicas próximo ao reservatório. O estabelecimento fornece cerca de 3,1 mil refeições a trabalhadores de baixa renda diariamente. A inspeção feita pelos fiscais da prefeitura revelou ainda problemas na caixa de esgoto da cozinha, que estava transbordando e causava mau cheiro. A água do reservatório, que estaria contaminada, não é usada para o cozimento de alimentos, mas para a limpeza do restaurante e a lavagem de utensílios. A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o local permanece interditado no final de semana e confirmou que a caixa d’água estava sem a tampa e que “moradores de rua faziam uso da mesma”. Segundo o órgão, foi solicitada ainda uma obra de adequação da caixa de esgoto na cozinha e uma limpeza e vedação da caixa d’água. “Assim que as exigências forem cumpridas, o estabelecimento poderá ser desinterditado, após uma nova vistoria da Vigilância Sanitária”, afirmou em nota.
Responsável pelo restaurante popular, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos informou que as recomendações da Vigilância Sanitária já foram atendidas e, com a autorização dos fiscais, o estabelecimento vai voltar a funcionar na segunda-feira. No site deles, é informado que o restaurante foi fechado “por conta de ‘questões técnicas’”. O restaurante Abelardo Chacrinha Barbosa oferece café da manhã de 500 calorias a R$ 0,35 e o almoço de, aproximadamente, 1.400 calorias a R$ 1. No Estado do Rio de Janeiro, existem ao todo 16 estabelecimentos populares como esse. Em maio, O DIA mostrou que as condições do Restaurante Popular Herbert de Souza, na Central do Brasil, são também de acabar com o apetite dos frequentadores. Além de falta de variedade no cardápio, que não oferece frutas ou sopas, banheiros sujos e brigas constantes dentro do estabelecimento deixam os usuários incomodados. Como muitos moradores de rua que comem na unidade são usuários de drogas, brigas levam insegurança a quem opta por uma refeição barata. No bandejão, são oferecidas 4.980 refeições diariamente.
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