
Na leitura de seu relatório de acusação, ontem no plenário do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, elegeu um alvo em especial entre os réus do processo do mensalão. Em apenas quatro minutos, o chefe do Ministério Público Federal (MPF) citou 20 vezes o nome do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, a quem atribuiu a paternidade do esquema criminoso. – Nada ocorria sem Dirceu saber – enfatizou o procurador-geral, toga às costas, terno marinho com risca de giz, camisa quadriculada e gravata roxa. Para Gurgel, Dirceu arquitetou o "mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio público no Brasil". Sabia da compra de parlamentares e conhecia a origem ilícita do dinheiro. Entre 2003 e 2004, da Casa Civil teria concebido as diretrizes do esquema que usaria carros-fortes e escolta policial na movimentação dos recursos. A postura não surpreendeu a defesa dos 38 réus, inclusive José Luis de Oliveira Lima, advogado do petista. Já se esperava a carga em Dirceu.
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