A partir de amanhã, milhares de trabalhadores afrouxam a gravata e passam quatro dias na folia. No Congresso, porém, a farra será ainda prolongada, quase com cara de férias. Os parlamentares mal voltaram do recesso, que durou mais de 40 dias, e já providenciaram uma folga esticada. O ano legislativo começou no dia 1º no Senado e na última segunda na Câmara. Na terça, um acordo empurrou a primeira votação para o próximo dia 19, obrigando deputados a comparecerem na prática apenas seis dias no mês de fevereiro e senadores, sete. Será como se cada deputado custasse R$ 14,3 mil por dia trabalhado e senadores, R$ 12,3 mil. Enquanto isso, os servidores públicos, por exemplo, com média salarial bem abaixo da dos parlamentares, terminarão o mês com mais que o dobro de dias trabalhados. A votação do Orçamento de 2013 e dos vetos presidenciais estava marcada para esta semana desde dezembro. Mas, na primeira reunião do ano, os líderes lançaram mão de diversas justificativas para não levarem os temas a plenário tão cedo. O motivo oficial foi a falta de acordo, mas já se sabia que a presença dos parlamentares seria mínima às vésperas da festa momesca. “Temos um desafio, que é a manutenção do quórum, muitos estão cansados por causa da campanha e da eleição da Mesa e ainda tem a semana de carnaval”, argumentou o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). Na terça-feira, quando se definiu que não haveria mais votação, notou-se rapidamente a corrida de deputados e senadores rumo ao aeroporto. Na Câmara, por exemplo, o número de deputados caiu pela metade — 367 estiveram presentes na terça, 150 na quarta e apenas 32 ontem. Como não foram nem serão abertas sessões deliberativas até o dia 19, as faltas não são contabilizadas e o carnaval parlamentar vai durar 13 dias, na prática. Na volta, eles devem trabalhar, como de costume, somente às terças e às quartas. Em outubro do ano passado, os deputados aprovaram uma resolução para oficializar a chamada “gazeta” — quando enforcam a segunda e a sexta-feira e só se obrigam a trabalhar efetivamente de terça a quinta. Uma reportagem do Correio na época mostrou que, na verdade, nem na quinta os deputados costumam ficar em Brasília.
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