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Rádio Itabunense
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24 março 2013
Chuvas no Rio mataram 1.433 pessoas em dez anos, uma a cada três dias
A paraibana Paula Frassinette Guedes, de 44 anos, chora ao se lembrar do filho. E a cadela basset lambe as pernas da dona como se tentasse curar feridas. A cachorrinha foi adotada pela família quase como uma terapia depois que Kenneth morreu em 2010, aos 21 anos, soterrado no Morro do Bumba, em Niterói, durante uma tempestade. Perdas dolorosas como essa se acumulam nos últimos dez anos. Desde 2003 até a semana passada, quando as chuvas fizeram mais vítimas em Petrópolis, foram 1.433 mortes no estado devido aos efeitos dos temporais. Uma baixa a cada período de menos de três dias. — Quando chove, ninguém dorme. O Kenneth estava subindo o morro, quando o barranco desceu. As pessoas dizem que o tempo passa, que vou esquecer, mas elas não sabem o que estão dizendo. A cadela foi um conforto — diz Paula, que mora, hoje, num conjunto habitacional, em São Gonçalo. No corredor de lajotas brancas do condomínio de Paula, o cheiro do feijão com arroz mostra que a vida vai sendo retomada a fogo brando. Em abril de 2010, 166 pessoas morreram em Niterói — incluindo o Morro do Bumba. Doze delas eram parentes do vizinho de Paula e vigia Jilsiney de Oliveira, de 50 anos. Até hoje, ele não se recuperou do trauma. Dados da Defesa Civil estadual mostram que as chuvas de abril de 2010 também afetaram a cidade do Rio, onde houve 57 mortes. O Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, foi a região mais afetada.
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