
“Se esta estrada é perigosa? Ô, se é. Foi logo ali que um tio meu, o Antônio, morreu atropelado. O Manoel, da barbearia, também perdeu a vida nela. O Raimundo, vaqueiro dos bons, foi mais uma vítima. O advogado Luiz Pacheco, coitado, enterrou dois filhos: o carro em que eles estavam capotou. É uma BR com defeitos no asfalto e curvas fechadas”. Os desastres recordados pelo aposentado Nelson Germano dos Santos, de 65 anos, ocorreram no antigo trecho de 125 quilômetros da BR-381 entre Governador Valadares a Mantena, cidades do Vale do Rio Doce, e que ainda passa pelos pacatos municípios de Divino das Laranjeiras, São João do Manteninha e Central de Minas.Aproximadamente 310 mil pessoas moram nos cinco municípios. Muitas delas rotulam aquele pedaço de asfalto como “a parte esquecida da 381”, pois é o único trecho mineiro da rodovia federal sem proposta de duplicação. Inaugurada em 1959 pelo então presidente da República Juscelino Kubitscheck (1902–1976), a 381 liga o estado ao Espírito Santo à capital paulista. Em Minas, ela tem 950 quilômetros e pode ser dividida em três partes.
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