Funcionários da Santa Casa cobram preços altos de famílias dos mortos na hora do sepultamento, e repassam valores até dez vezes menores para a instituição. A fragilidade das famílias na hora de enterrar os parentes surge como oportunidade única: mais sensíveis e pouco atentas às formalidades fiscais, elas ficam expostas à máfia que atua nos cemitérios do Rio de Janeiro. Sorrateiramente e valendo-se da falta de transparência com a tabela de preços, alguns funcionários da Santa Casa de Misericórdia negociam valores até dez vezes maiores pelas sepulturas do que os contabilizados nas notas fiscais da instituição. Quanto mais nobre o endereço do morto, maior o superfaturamento nos preços na hora dos enterros. Um autêntico caixa 2 (dinheiro sem prestação de contas) da morte, onde só Deus sabe o destino final dos valores pagos a mais pelas famílias. Normalmente, o negócio é fechado com os responsáveis pelos cemitérios administrados pela Santa Casa de Misericórdia. Mas a verba não chega aos cofres da instituição. O esquema funciona há anos, e com mais intensidade em dois dos principais cemitérios do Rio: o São João Batista e o Caju. As provas da atuação da máfia estão em documentos empoeirados enterrados junto com a CPI instaurada na Câmara Municipal para apurar irregularidades na Santa Casa.
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