O inspetor aposentado da Polícia Civil Manoel Edelvem dos Santos foi condenado a 14 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado pela morte do jovem Frederico Michel Meirelles de Mattos, então com 25 anos, no dia 11 de novembro de 2000, na zona norte de Porto Alegre. Além de Edelvem, outro policial civil, Marco Antônio Magalhães, foi condenado por fraude processual, mas o crime já prescreveu. Os agentes Rodrigo Mussoi e Vladimir de Mattos foram absolvidos. O caso ocorreu às 7h30min de um sábado, quando quatro amigos haviam estacionado um automóvel Corsa em frente a uma agência do Banrisul na Avenida Cristóvão Colombo para sacar R$ 20. Segundo a promotora Dirce Soler, desconfiados da movimentação os agentes da 3ª Delegacia de Polícia (DP), que fica nas proximidades do banco, Manoel Edelvem dos Santos e Rodrigo Mussoi foram até o local. Já dentro do carro, conta a promotora, os jovens foram abordados pelos policiais armados e receberam a ordem de ficarem parados. Ao confundir a turma com assaltantes, Edelvem efetuou um disparo que atingiu a nuca de Mattos, que morreu cerca de uma semana depois no Hospital de Pronto Socorro. No dia do crime, a Brigada Militar levou o ferido ao hospital, revistou o veículo e não encontrou indícios de que o grupo teria cometido algum crime. Porém, após a cena do crime ser isolada, outros dois policiais civis teriam rompido a barreira e "plantado" uma evidência no carro. — Eles fizeram toda uma encenação. Plantaram um talão de cheque roubado um ano antes no veículo para tentar provar que os amigos eram criminosos — explica a promotora Dirce. Dirce e a colega Andréa de Almeida Machado pediram a condenação de Edelvem pelo assassinato. Pelo crime de fraude processual, as promotoras denunciaram Marco Antônio, Vladimir e Vitor André Arpini Mombelli — o último deve ser julgado em fevereiro porque foi hospitalizado. Por ter discordado da atitude de Edelvem, Mussoi teve pedida a absolvição pelo Ministério Público. Em sessão que terminou por volta das 2h30min desta sexta-feira na 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, um júri popular formado por sete mulheres decidiu pelas condenações de Edelvem e Marco Antônio e pelas absolvições de Rodrigo e Vladimir. A sentença foi proferida pela juíza Cristiane Zardo. A defesa dos réus deve se pronunciar no início da tarde. A promotora Dirce Soler explica que a demora de 13 anos para o julgamento ocorreu devido a inúmeros recursos impetrados pela defesa dos acusados. Ela acredita que os réus poderiam ser julgados com mais antecedência, mas reforça que as alegações de defesa estão dentro da lei. (Zero Hora)
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