Quase um terço (32%) dos brasileiros que se automedicam costuma aumentar a dose do remédio por conta própria, sem orientação do médico ou do farmacêutico. É o que revela pesquisa inédita do ICTQ (instituto de pós-graduação para farmacêuticos) feita em 12 capitais do país. Foram ouvidas 1.480 pessoas com 16 anos ou mais que consomem remédios. O estudo, que será divulgado amanhã, aponta que a automedicação é praticada por 76,4% dos brasileiros. Salvador (96,2%) e Recife (96%) lideram o ranking. Em São Paulo, a taxa é de 83%. Para Pedro Menegasso, presidente do CRF (Conselho Regional de Farmácia) de São Paulo, as pessoas não fazem ideia do risco que correm ao se automedicar ou duplicar a dose de um remédio. O aumento na quantidade de medicamentos além da dose recomendada pode trazer vários problemas, como alergias, hemorragias e graves lesões no estômago e no fígado, alerta Paulo Olzon, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Antiinflamatórios usados sem critério, por exemplo, podem causar contração dos vasos, retenção de sódio e água (elevando pressão arterial) e sobrecarga no coração. Olzon conta que só na última semana diagnosticou dois pacientes de classe média com sintomas de intoxicação medicamentosa por uso indevido de corticoide.
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