Veículos de comunicação e seus jornalistas correm sempre atrás de notícia exclusiva, produção de reportagens especiais e informações de bastidores que dão a certeza de que algo bombástico irá acontecer. Termina um ano, começa outro e a história se repete. Profissionais e empresas de mídia que realizam seus trabalhos com maestria conseguem destaques, ganham o respeito do público, passam a ter admiradores e, em certos casos, têm seus esforços reconhecidos em premiações voltadas à imprensa -- caso do Prêmio Comunique-se. Em 2014, porém, a busca incessante - e desmedida - em dar o furo jornalístico, publicar determinada notícia antes de todo mundo, fez muita gente acabar cometendo “barriga”, termo que, no meio da imprensa, indica gafe, erro. Ao longo do ano, determinadas “barrigas” chamaram a atenção e acabaram se tornado notícia. Teve jornalista que enviou entrevista “exclusiva” com sósia de treinador, diário do interior que confundiu o fim da revista íntima em presídios com a proibição de publicações masculinas nas prisões e rede internacional de TV que “matou” o rei do futebol. Com isso, o Portal Comunique-se elenca as três maiores gafes da imprensa brasileira - ou relacionada a personalidades nacionais - em 2014. Relembre:
3° - CNN, redes sociais: falsa morte de um rei
Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, considerado o maior atleta do século XX, morreu na manhã de 28 de março deste ano. Ao menos foi essa a informação proliferada entre internautas de todo o mundo que tiveram acesso à “notícia” por meio de um post mantido pela equipe do ‘New Day’, programa transmitido pela CNN. Pelo microblog, a rede internacional de TV chegou a garantir que o rei do futebol tinha morrido aos 74 anos de idade. Com a morte não passando de boato, a emissora usou a mesma conta para afirmar que caiu em contos espalhados pelas redes sociais. “Deletamos mais cedo um tweet incorreto sobre esse assunto. Lamentamos o erro e agradecemos aos nossos seguidores pela ajuda”, informou o perfil do ‘New Day’ no Twitter, minutos depois de anunciar a “morte” de Pelé. O fato curioso envolvendo a “barriga” da CNN foi que, no momento em que era divulgada o seu suposto falecimento, o ex-atacante da seleção brasileira usava as redes sociais para divulgar a “morte” da Kombi, fruto de campanha publicitária promovida pela Volkswagen. “Porta-vozes de Pelé dizem à CNN que ele está vivo e bem”, chegou a reportar a emissora. Apesar da correção, o erro aparece no top 3 de “barrigas” do ano.
2° - Fim de revista íntima = sem Playboy?
A equipe do jornal O Imparcial de Araraquara, no interior de São Paulo, aparentemente confundiu uma resolução do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, órgão ligado ao Ministério da Justiça que no início do segundo semestre recomendou o fim da revista íntima em presídio, com uma suposta solicitação para se proibir a entrega de edições de publicações voltadas ao público masculino nas detenções do país. O título escolhido pela redação para falar do caso não apresentava problemas, mas a imagem escolhida para ser impressa como parte da notícia levou o diário ao erro. A foto que apareceu ao lado do texto trazia a modelo e ex-panicat Aryane Steinkopf na capa da Playboy, publicação mensal mantida pela Editora Abril. A gafe recheou a edição impressa de O Imparcial de 17 de setembro. Ao assumir o erro um dia depois, a equipe do jornal brincou com a situação, afirmou que a própria redação riu do caso e que a “barriga” foi cometida porque um dos colaboradores da casa não entendeu uma ironia. “Rimos da confusão promovida pelo montador de página que perguntou ao editor como deveria ilustrar a matéria no que este, tirando o sarro, respondeu: com uma Playboy. E não é que saiu!!! Resultado: se cobrir vira circo e se cercar vira hospício”. Com ou sem risadas dos jornalistas de Araraquara, o caso aparece na segunda colocação de gafes.
1° - Exclusiva com Felipão... Só que não
Quarta-feira, 18 de junho. Copa do Mundo em curso e a mídia de todo o planeta com suas atenções voltadas para a competição ocorrida em solo brasileiro. Então treinador da seleção brasileira de futebol, Luiz Felipe Scolari vivia fase de celebridade: estrela de campanhas publicitárias, aparições em jornais, sites e revistas e destaque em programas de TV. Felipão, como o técnico também é chamado, era um dos rostos mais famosos do país. Apesar de tudo isso, o jornalista Mario Sergio Conti, mesmo sem aparentemente conhecer o treinador, não pensou duas vezes antes de partir para um conversa exclusiva com o comandante do selecionado canarinho. Conti, o entrevistador, encontrou Felipão (ao menos era o que ele imaginava) em um voo do Rio de Janeiro para a capital paulista. Entusiasmado com o feito em meio ao mundial, o jornalista escreveu matéria e ofereceu o conteúdo aos dois jornais em que atua como colunista, Folha de S. Paulo e O Globo. A dupla de veículos deu destaque ao material em suas versões online, mas horas depois foi revelado o erro: Conti não tinha conversado com Scolari em momento algum. A entrevista tinha sido, na realidade, com Vladimir Palomo (foto), sósia do técnico. Resultado: produção de “erratas” nos dois jornais, pedido de desculpas de Conti e o título de “Barriga do Ano”. (Comunique-se)
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