Nem mesmo a ameaça de ter o corpo queimado faz com que Misael troque a vida na rua e a companhia do cão Faísca por um teto. “Para morar em casa, você tem de enfrentar ladrão”, diz o morador da Avenida 9 de Julho. A alguns quilômetros dali, o mineiro Paulo explica que privações fazem parte da vida no Vale do Anhangabaú. “Se Jesus sofreu, por que o ser humano não pode sofrer?”, pergunta ele, que foi para as ruas há 14 anos, após enfrentar problemas em uma ação trabalhista.Além de dificuldades financeiras, impasses familiares fazem com que muitos saiam de casa, como aconteceu com Thiago Felipe da Silva, que leva a vida nas ruas do Glicério. Aprendeu cedo o que era independência após a convivência com a mãe, viciada em crack, ficar insustentável. “Da relação com a família, eu cansei, tá ligado?” As histórias se repetem e os números as reforçam.
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