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03 maio 2016

Cotado para ministério, secretário de SP deve explicar chacina

Ivanilda da Costa, 40, é mãe de José Carlos Costa do Nascimento, 17, o Lapixó. Ela quer saber por que seu filho foi morto numa chacina em Carapicuíba, em 19 de setembro de 2015. Cinco dias depois do crime, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, divulgou a versão de que o episódio foi vingança do policial militar Douglas Medeiros. Segundo a história contada pelo governo paulista, o PM matou a tiros Lapixó e outros três adolescentes - Cadu, Matheus e Douglas - porque eles tinham roubado a bolsa de sua mulher. Os jovens foram assassinados ao lado da pizzaria onde trabalhavam como entregadores, na Grande São Paulo. Foram encontrados de bruços, com tiros na cabeça. Moravam numa ruela chamada Dallas, perto dali. A bolsa da mulher do policial havia sido encontrada na casa de um dos meninos assassinados, de acordo com relato da Polícia Civil. Por causa desta versão, os quatro foram enterrados na época como ladrões. O secretário Alexandre de Moraes pode mudar de endereço daqui a duas semanas para sentar numa cadeira do primeiro escalão do governo federal, em Brasília. É peso pesado nas apostas para ser ministro da Justiça ou advogado-geral da União no provável governo de Michel Temer, de quem é amigo há "mais de 20 anos" (segundo palavras de Moraes). Se realmente pensa em trazê-lo a Brasília, Temer poderia dar um conselho ao amigo, que tem no currículo uma advocacia a favor do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no STF. Antes de pegar o voo para a capital federal, Moraes deveria dar uma atenção especial à chacina de Carapicuíba. Quem sabe um último gesto no governo de Geraldo Alckmin.

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