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29 novembro 2025

Com a prisão de Bolsonaro, aumenta a articulação em torno de Tarcísio como possível representante da direita nas eleições de 2026.

 


A longa novela sobre quem poderá ser o herdeiro político escolhido por Jair Bolsonaro, que se arrasta desde meados de 2023, quando o ex-pre­sidente foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral, se aproxima do seu final. O desfecho do julgamento por tentativa de golpe, que não só elevou a inelegibilidade do ex-presidente para até 2060, como o condenou a 27 anos de prisão em regime inicialmente fechado, deve apressar as conversas sobre quem, afinal, representará a oposição, em especial o eleitorado bolsonarista, no duelo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Favorito desde sempre, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), consolidou sua posição nos últimos dias como o único presidenciável capaz de angariar o apoio do clã Bolsonaro — por ser o mais próximo ao ex-presidente — e obter ainda o amplo eleitorado de centro-direita que deseja se livrar do lulismo, mas não comunga totalmente com a cartilha bolsonarista.

MUDANÇA DE ROTA - O governador Ronaldo Caiado e ACM Neto: União Brasil deve desistir de candidatura própria

A delicada situação judicial do ex-­presidente mobilizou líderes do Centrão e da direita em busca de uma definição sobre quem vai liderar a oposição. Embora continue negando oficialmente que disputará a Presidência da República — cada vez com menos ênfase —, Tarcísio vem conversando nas últimas semanas sobre a entrada na corrida presidencial com importantes caciques nacionais, como o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP; o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, do União Brasil; e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, além do presidente nacional do PSD e secretário de seu governo, Gilberto Kassab. Também apoiam cada vez mais nos bastidores o seu nome para o Planalto os caciques Valdemar Costa Neto (PL), Baleia Rossi (MDB) e Marcos Pereira (Republicanos). A meta é construir um grande bloco de centro-direita com PL, União Brasil, PP, Republicanos, MDB e PSD e esquecer a ideia de candidaturas pulverizadas no primeiro turno — tese antes defendida por alguns nomes desse campo político, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

PLANO - Ciro Nogueira: cacique atua por frente ampla do centro à direita

A direita corre contra o tempo porque faltam pouco mais de cinco meses apenas para Tarcísio, caso aceite o desafio, renunciar ao cargo que ocupa, como exige a lei. O governador paulista resiste a avançar o sinal. Até meados de janeiro, pelo menos, ele não quer declarar oficialmente que disputará a Presidência da República para não antecipar mais a já antecipada corrida eleitoral, mas entre os seus interlocutores há cobrança para que ele diga ao menos aos aliados que está pronto para o desafio. “Acho que o pessoal está muito ansioso. Há tempo para a definição. Isso já está sendo feito, e as pessoas só não percebem”, disse Tarcísio em um evento empresarial na quarta-feira 26. “Não tenham ansiedade, porque virá a decisão na hora certa. Não precisa ser em dezembro. Pode ser janeiro, fevereiro, março”, completou o governador. Segundo seus interlocutores, ele acha importante entregar obras estratégicas de sua gestão antes de partir para uma corrida presidencial, como a conclusão de trechos do Rodoanel e de duas novas linhas do metrô. “Bater o martelo sobre uma candidatura o deixaria, na prática, sem governo. E isso deve ser bem calculado, ele precisa deixar a casa arrumada”, diz um aliado próximo.

O principal nó da articulação, no entanto, está justamente no círculo mais próximo a Bolsonaro. Tarcísio ainda aguarda a palavra final do ex-pre­sidente — sem o seu apoio formal e explícito, ele dificilmente irá para a disputa nacional. Ele estava com visita marcada para o dia 10 de dezembro em sua casa em Brasília, no período da detenção em regime domiciliar, mas o encontro foi cancelado diante da prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes após Bolsonaro danificar a tornozeleira. Agora, Tarcísio terá de fazer novo pedido ao ministro do STF para poder discutir o quadro político frente a frente com o capitão, desta vez preso em regime fechado. Em todas as conversas com aliados, Tarcísio recebeu queixas e alertas em relação à posição dos filhos de Bolsonaro. O caos costurado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, com as investidas contra o país, o STF e aliados, o tornou tóxico demais. Na quarta 26, em entrevista, ele mandou recados a quem pretende herdar o espólio do pai. “Eu pretendo apoiar um outro candidato em 2026 desde que ele seja identificado com os meus eleitores, que são bolsonaristas”, disse. Questionado sobre se já identificou alguém com esse perfil, respondeu: “Flávio Bolsonaro”. O nome do senador como candidato a presidente foi especulado, de fato, nos últimos dias, mas a sua desastrada atuação no episódio que levou o pai à prisão preventiva (ao convocar uma vigília de apoiadores perto do condomínio do ex-presidente) contou como sério ponto negativo.

TÁTICA - Ratinho Jr.: articulação discreta e disposição de manter nome no páreo

Se prevalecer a premissa de que o ex-capitão só apoiará alguém se a chapa tiver um sobrenome Bolsonaro, uma alternativa é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Mas essa hipótese não é consenso nem entre os filhos de Bolsonaro nem entre os companheiros de PL. “Eu mesmo não concordo. Precisamos focar no Legislativo. A Michelle pode ser eleita senadora pelo DF. Assim, com maioria, podemos fazer frente ao STF e travar o Poder Executivo”, diz um parlamentar do PL. Outros aliados também alegam que o melhor seria um vice sem o sobrenome Bolsonaro, porque daria maior amplitude à chapa que enfrentará Lula, como alguém do Nordeste ou de um estado eleitoralmente relevante, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

IMPASSE - Valdemar: chapa com um Bolsonaro é o maior nó a ser desatado

Se a estrela de Tarcísio sobe no mercado de apostas, a de outros concorrentes de centro-direita vai perdendo força, como a dos governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD); de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); e o próprio Zema. “De todos, Tarcísio é hoje o mais forte. Os outros não conseguiram se articular nacionalmente”, afirma um cacique do União Brasil. Esses presidenciáveis de centro-direita, no entanto, não pensam em jogar a toalha. Ratinho Jr., que nas pesquisas consegue ser o mais bem colocado depois de Tarcísio, movimenta-se com discrição, continua conversando com políticos, sociedade civil e empresários e aposta na imagem de “pacificador” do país, de alguém longe da polarização. Além disso, não pode se descuidar da gestão do estado, onde pretende eleger o seu sucessor. Já Ronaldo Caiado, que enfrenta fogo amigo dentro da federação União Brasil-PP, contratou um marqueteiro (Paulo Vasconcelos, que atuou em campanhas de Aécio Neves e Cláudio Castro) para a sua campanha presidencial, e não descarta nem mesmo mudar de partido para manter a candidatura ao Palácio do Planalto, cenário hoje tido como o mais provável.

OPÇÃO - Kassab: apesar de o PSD ter dois presidenciáveis, ele quer Tarcísio

Uma condição para Tarcísio receber o aval de Bolsonaro e da família é também uma dificuldade: mostrar que, se eleito, fará todo esforço possível para tirar o ex-presidente da cadeia. O governador de São Paulo parece ter entendido o recado e, nos últimos dias, foi enfático na defesa de algum tipo de perdão judicial. “Sempre defendi anistia e o que eu puder fazer para que ela seja aprovada, eu vou fazer. Nosso interesse é vê-lo livre desse processo, dessa situação toda. Na hora da dificuldade é que os amigos têm que estar juntos”, disse em entrevista na quarta 26. No mesmo dia, afirmou que a direita, “que o pessoal às vezes diz que está desorganizada”, vai apresentar um projeto liberal para o país “se livrar do PT” porque o Brasil está na “direção errada”. “Mas é fácil acertar. A gente coloca na direção correta rapidinho”, completou. O discurso, como se vê, parece cada vez mais com o de um candidato ao Planalto. A maré política, na esteira da derrocada de Bolsonaro, nunca foi tão favorável para o governador paulista.

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