Tal pai, tal filho. O provérbio popular tornou-se uma espécie de referência no discurso de Ronaldo Caiado, nesta quarta, ao anunciar sua decisão de sair do União Brasil e se filiar ao PSD para concorrer ao Planalto contra Lula e Flávio Bolsonaro.
No cenário atual, Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite vão disputar, em abril, a chance de liderar o projeto presidencial do partido de Gilberto Kassab. Se o governador de Goiás avançar, a pista para tirar votos de Flávio Bolsonaro entre eleitores contrários ao PT e Lula será apostar na falta de lastro político do senador.
Flávio Bolsonaro construiu sua carreira política escorado nos votos de Jair Bolsonaro. Não tem experiência administrativa no Executivo a mostrar na campanha — um ponto fraco a qualquer oponente de Lula — e, até aqui, vem seguindo um roteiro idêntico ao do pai — até o batismo nas águas já foi cumprido. Sua única proposta ao eleitorado é derrotar o PT. O que fazer com o país é assunto para depois. A única coisa certa é que Eduardo Bolsonaro será o chefe da política externa brasileira.
Diante dessas constatações, Caiado prometeu ser um candidato “sem interesse pessoal”, em contraste com a candidatura de Flávio que é um projeto de franquia familiar — que pune até aliados fiéis que fazem sombra ao clã.
Em outro ponto de sua fala, o governador de Goiás disse que o seu projeto terá “independência intelectual” para governar o país. É aqui que entra o provérbio popular que abre o texto. Flávio dá sinais de que será um espelho do que foi Bolsonaro no Planalto.
O senador já disse que é diferente do pai, mais moderado, mas o discurso cravado para a bolha bolsonarista, a ausência de propostas e a dependência das visitas na prisão para escolher seus próximos passos mostram o oposto.
Caiado promete um projeto de oposição ao que faz o petismo no Planalto, mas sem cercadinhos e sem a cartilha do capitão. Ainda é cedo para avaliar se o discurso sensibilizará o eleitorado, mas as cartas estão lançadas.

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