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07 julho 2026

Relatório da Polícia Civil aponta repasse de R$ 26,2 milhões de empresa ligada ao financiamento de filme sobre Bolsonaro para firma investigada por lavar dinheiro do PCC

Legenda da foto: Trailler do filme “Dark horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro Crédito:

Um relatório final da Polícia Civil de São Paulo identificou que a empresa Entre Investimentos e Participações Ltda. transferiu R$ 26.225.110 para a ACX ITC Serviços de Tecnologia Ltda., apontada pela investigação como integrante de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As movimentações ocorreram entre fevereiro e abril de 2025 e fazem parte da Operação Saturno, conduzida pela 2ª Delegacia do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc).

Segundo o documento, obtido pelo portal Metrópoles, a Entre Investimentos está registrada em nome de Antônio Carlos Freixo Junior. A empresa ganhou notoriedade após ser apontada como o veículo utilizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o envio de recursos destinados ao financiamento de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme afirmou o senador Flávio Bolsonaro ao tratar da produção cinematográfica.

De acordo com a Polícia Civil, a ACX ITC integra um conjunto de empresas utilizadas para a movimentação ilícita de recursos financeiros à margem do sistema oficial. O relatório afirma que a empresa apresenta "fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico" e cita informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicando que a ACX movimentou R$ 918.378.510, tendo a Entre Investimentos figurado entre as empresas remetentes dos valores.

As investigações apontam ainda que a ACX ITC está formalmente registrada em nome de Ericsson Azevedo, de 50 anos, que confessou à polícia ter atuado como "laranja". Em depoimento, ele afirmou que foi abordado em um campo de futebol no bairro do Jaçanã, na capital paulista, onde recebeu a proposta de R$ 5 mil para que ele e a esposa figurassem como proprietários da empresa. Segundo seu relato, sua atividade profissional era a venda de pipas e rabiolas por meio de rifas, com renda aproximada de R$ 1 mil por rifa comercializada.

Outro ponto destacado pela investigação envolve pagamentos realizados pela ACX ITC. Conforme o relatório policial, a empresa efetuou transferências que totalizam R$ 1,3 milhão para empresas vinculadas a ministros do Superior Tribunal Militar (STM) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O documento, no entanto, menciona apenas a existência das operações financeiras, sem atribuir responsabilidade criminal aos magistrados.

Em razão da conexão entre as movimentações financeiras investigadas e outras apurações em andamento, incluindo investigações envolvendo o Banco Master e a chamada Operação Sem Desconto, a Polícia Civil encaminhou todo o material à Polícia Federal.

No relatório encaminhado à Justiça em 12 de maio, o delegado Júlio Jesus Encarnação afirmou que o Grupo Entre e seu sócio, Antônio Carlos Freixo Junior, já figuram como alvos de investigações federais relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero, o que demonstraria uma possível integração entre os fluxos financeiros analisados nas diferentes apurações.

Ao analisar o caso, o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 1ª Vara de Organização Criminosa e Lavagem de Bens da Capital, determinou a remessa dos autos à Justiça Federal. Na decisão, o magistrado afirmou que a permanência da investigação na esfera estadual poderia gerar duplicidade investigativa, decisões conflitantes e comprometer a compreensão global dos fatos, diante da aparente conexão entre os elementos reunidos pela Polícia Civil e investigações já conduzidas pela Polícia Federal.

Até o momento, não há informação sobre eventual denúncia criminal decorrente desse relatório, e as investigações seguem sob responsabilidade da esfera federal.

Fonte: https://www.metropoles.com/ 

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