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Rádio Itabunense

Programa Comando em Conexão

Programa Comando em Conexão
Apresentação: Marcos Soares

24 outubro 2026

Google descarta manipulação automatizada em buscas ligadas ao ‘Exército do Lula’; Meta não identifica violação de regras

 

Empresas responderam a questionamentos do presidente do TSE após solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro. Caso envolve mobilização política nas redes sociais e suspeitas de influência artificial nas tendências de busca.

Brasília — O Google e a Meta apresentaram esclarecimentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o funcionamento do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, ligado à mobilização digital de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As manifestações foram encaminhadas na sexta-feira (23), após determinação do ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, que solicitou informações técnicas sobre possíveis irregularidades na atuação do canal.

O pedido do magistrado foi motivado por uma representação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. A equipe do candidato alegou que o canal estaria orientando seguidores a realizar buscas coordenadas no Google e a impulsionar hashtags nas redes sociais, com o objetivo de ampliar a visibilidade de conteúdos desfavoráveis ao senador.

Google afirma não ter identificado uso de robôs

Em resposta ao TSE, o Google informou que suas análises internas não identificaram tráfego automatizado, ataques por scripts ou infraestrutura de robôs associada aos termos examinados no caso.

A empresa afirmou que mantém mecanismos de segurança para detectar e impedir tentativas de manipulação das pesquisas. Também ressaltou que os dados do Google Trends, ferramenta utilizada para acompanhar a popularidade de termos de busca, são agregados e anonimizados e não permitem, isoladamente, identificar a conduta de usuários específicos ou comprovar uma eventual fraude.

Segundo a manifestação, o aumento repentino de pesquisas sobre determinado assunto pode decorrer do interesse legítimo dos usuários e da repercussão de acontecimentos políticos.

Meta diz não ter encontrado violação das políticas

A Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook, informou que a análise técnica do canal “Exército do Lula” não identificou violações das diretrizes aplicáveis à ferramenta.

A companhia, contudo, solicitou mais cinco dias para concluir a entrega de um relatório detalhado. A empresa argumentou que a investigação envolve diferentes serviços, grande volume de informações e procedimentos internos de extração e validação de dados.

A avaliação apresentada inicialmente não encerra necessariamente todas as verificações solicitadas pelo tribunal. A Meta informou que ainda havia elementos pendentes de análise.

X identificou mobilização coordenada de hashtags

A plataforma X também apresentou informações ao TSE. Segundo reportagem da CNN Brasil, a empresa identificou ações coordenadas para impulsionar hashtags relacionadas à mobilização digital, mas afirmou que a maior parte da atividade analisada partiu de usuários considerados autênticos.

A análise citada pela reportagem abrangeu 58 hashtags, que reuniram aproximadamente 8,2 milhões de publicações de cerca de 476 mil contas. A plataforma informou que aproximadamente 97% das contas examinadas não apresentaram sinais de automação, redes de perfis falsos ou operação irregular de múltiplas contas.

A existência de mobilização coordenada, por si só, não comprova uma infração eleitoral. A avaliação depende de fatores como autenticidade das contas, métodos utilizados, conteúdo divulgado e eventual violação da legislação ou das regras das plataformas.

Entenda a disputa no TSE

O canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones, tornou-se alvo de questionamentos judiciais durante a campanha eleitoral de 2026.

A campanha de Flávio Bolsonaro pediu que a Justiça Eleitoral investigasse a possibilidade de uso da ferramenta para ampliar artificialmente a repercussão de determinados assuntos nas redes sociais e nos mecanismos de busca.

Em outubro, Nunes Marques determinou medidas relacionadas à suspensão e ao registro eleitoral do canal. As decisões provocaram novos questionamentos jurídicos, e o funcionamento da ferramenta passou a ser discutido em diferentes instâncias do tribunal.

Em uma das etapas anteriores do caso, uma análise técnica do próprio TSE não encontrou as publicações com desinformação que haviam motivado uma das decisões de suspensão, conforme noticiado pela imprensa.

Mobilização política digital entra no centro da disputa eleitoral

O episódio evidencia a importância das redes sociais e dos canais de mensagens na disputa presidencial. Com milhões de participantes e grande capacidade de disseminação, essas ferramentas se tornaram instrumentos relevantes para campanhas, apoiadores e movimentos políticos.

A legislação eleitoral permite a manifestação política e a mobilização de apoiadores, mas o uso de recursos automatizados, contas falsas ou mecanismos destinados a simular artificialmente o alcance de conteúdos pode levantar questionamentos sobre a regularidade das ações.

Por isso, a análise do TSE envolve não apenas a quantidade de publicações ou a velocidade com que uma hashtag ganha destaque, mas também os mecanismos empregados para produzir essa repercussão.

Até as manifestações divulgadas em 23 de outubro, as informações apresentadas pelas plataformas não sustentavam, por si só, a conclusão de que o canal “Exército do Lula” havia manipulado automaticamente as buscas. A apuração judicial, entretanto, deve considerar o conjunto das evidências e os esclarecimentos técnicos solicitados pelo tribunal.

O caso acrescenta mais um capítulo à disputa política nas redes sociais às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, e reforça a importância da transparência, da autenticidade das interações digitais e da verificação independente das informações que circulam durante o processo eleitoral.

Fontes: VEJA, Agência Brasil, CNN Brasil e Brasil de Fato.

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