
A transição histórica entre o pontificado do papa Bento XVI e a escolha do seu sucessor ainda em vida explicitou ao mundo o crescente conflito entre os grupos que disputam internamente os rumos da Igreja Católica, em paralelo aos desencontros da instituição milenar com questões polêmicas da atualidade. O desafio atual para os especialistas em sucessão papal e em análises de seus bastidores desde os anos 1960 é bem mais complexo que avaliar o embate ideológico entre conservadores, na maioria europeus, e liberais, concentrados na América Latina, onde vive metade do 1,2 bilhão de fiéis católicos.O controle dos abusos da casta burocrática na sede da Igreja é o ponto central dos fatos que levaram ao processo histórico aberto na segunda-feira, com o anúncio da renúncia de Joseph Ratzinger, e cujo desfecho começa no próximo dia 28, com a convocação do conclave para eleger o papa, sem prazo para acabar.
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