
O vazamento de um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece cobrando dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no último dia 13 de maio, foi amplamente conhecido pelo eleitorado, impactou a preferência de voto de parte dos votantes e fez o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro perder fôlego na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo levantamento AtlasIntel/Bloomberg feito entre os dias 13 e 18 de maio e divulgado nesta terça-feira, 19.
A pesquisa, no entanto, está sendo questionada pelo PL, que pediu a sua impugnação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o partido, o “questionário não possui perguntas neutras”. “Das 48 perguntas, 8 (oito) tratam, em claro induzimento, do suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master. E mais: as indagações são trazidas em uma ordem muito específica. O questionário constrói uma progressão: medo eleitoral; comparação Lula x Flávio; fraude financeira; Banco Master; Daniel Vorcaro; conversas vazadas; possível envolvimento direto; impacto sobre voto; enfraquecimento da candidatura; retirada da candidatura. Essa cadeia produz contexto, não mera medição” afirma.
O partido questiona também o fato de o instituto ter apresentado aos entrevistados o áudio da conversa entre Flávio e Vorcaro para que eles fizessem a avaliação do seu conteúdo (leia mais abaixo).
A Justiça Eleitoral ainda não se manifestou sobre o pedido. De acordo com o levantamento divulgado, Lula tem agora quase treze pontos de vantagem para Flávio no primeiro turno (47,0% a 34,3%). O petista praticamente manteve estável a sua intenção de votos, mas o senador viu recuar o percentual de apoiadores em mais de cinco pontos (veja quadros abaixo).

AtlasIntel – primeiro turno – evolução
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A perda de eleitores por parte de Flávio não se traduziu em nenhum ganho expressivo de votos para outros candidatos de centro-direita e direita. Quem mais lucrou foi o empresário e ativista do MBL Renan Santos (Missão), que assumiu a terceira posição, com 6,9% das intenções de voto (veja gráfico acima).
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Segundo turno
Em um eventual segundo turno, Lula também abriu vantagem sobre Flávio, com mais de sete pontos agora à frente de seu principal adversário. Na pesquisa de abril, os dois concorrentes estavam empatados tecnicamente (veja gráfico abaixo).
O petista também tem em torno de dez pontos de vantagem sobre outros adversários, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) e quase vinte pontos sobre Renan Santos.
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Impacto do áudio
A pesquisa mostra que o áudio da conversa entre Flávio e Daniel Vorcaro chegou ao conhecimento de 95,6% dos eleitores e foi ouvido por 93,9% deles.
Como resultado, o percentual daqueles que acreditam que o escândalo do Banco Master está mais ligado aos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro passou de 28,3% em março para 43,3% em maio (veja quadros abaixo).

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AtlasIntel – quem está mais envolvido com o escândalo do Master
A pesquisa também mostra que cresceu o contingente do eleitorado que afirma ter mais preocupação ou medo de uma vitória de Flávio Bolsonaro do que uma eventual reeleição de Lula para um quarto mandato (veja quadro abaixo).

Polêmica
O instituto AtlasIntel abriu uma crise com a oposição ao, de forma inusual, reproduzir para os entrevistados o áudio em que Flávio conversa com Daniel Vorcaro e pede para ele acertar as parcelas atrasadas de repasses estimados em 134 milhões de reais, que seriam para a finalização do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro — segundo o site The Intercept Brasil, ao menos 61 milhões de reais foram pagos e parte desse dinheiro foi parar em um fundo sediado no Texas, onde vive o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, criticou o levantamento. “Uma pesquisa não pode virar peça tendenciosa disfarçada de levantamento técnico. Ao expor milhares de entrevistados a um material que é alvo de disputa política, o instituto deixou de apenas medir a opinião pública e passou a interferir no ambiente eleitoral. Esse tipo de prática ultrapassa a fronteira entre medição técnica e propaganda, por isso o PL já pediu ao TSE a impugnação de seu registro”, disse.
“Instituto de pesquisa que influencia a pesquisa é o que? Nem pesquisa é…”, postou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Até as 7h45 desta terça-feira, o presidenciável Flávio Bolsonaro não havia se manifestado.
Na ação que apresentou ao TSE, o PL diz que o levantamento pode desvirtuar o debate eleitoral. “A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. 8. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, diz na representação.
Outro lado
Ainda na noite de segunda-feira, o CEO do instituto AtlasIntel, Andrei Roman, se defendeu. “O áudio e reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e portanto não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais”, afirma. “A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica. AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil mas a nível global”, completa.
Pesquisa
O levantamento foi feito entre os dias 13 e 18 de maio e foi todo realizado após o vazamento do áudio, no dia 13 de maio. A pesquisa é a primeira entre os grandes institutos a fazer todas as entrevistas após o episódio, que tornou-se um dos mais fundamentais até agora da pré-corrida eleitoral.
Foram ouvidos 5.032 entrevistados. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº BR-06939/2926.
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