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25 maio 2026

Vereador afirma ter levado denúncia diretamente à Polícia Federal e cobra resposta sobre merenda escolar em Ilhéus

Durante entrevista conduzida pelo jornalista Oziel Aragão, com participação do advogado Dr. Allah Góes, o vereador Vinícius Alcântara detalhou o encaminhamento das denúncias relacionadas a supostas irregularidades na merenda escolar de Ilhéus e comentou os desdobramentos da investigação envolvendo a Polícia Federal.

Segundo o parlamentar, a denúncia foi apresentada diretamente à Polícia Federal, sem tramitação inicial pelo Ministério Público Federal. Alcântara afirmou que a decisão foi estratégica diante da quantidade de denúncias acompanhadas por sua equipe, que, segundo ele, atua em diferentes casos desde legislaturas anteriores. O vereador destacou que órgãos de controle, como Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e Ministérios Públicos, costumam avaliar previamente a consistência das denúncias antes de instaurar investigações.

De acordo com Alcântara, além do trabalho da equipe do gabinete, pais, professores e outros vereadores também teriam contribuído com informações e provas. Ele afirmou que a repercussão pública do caso, por meio de redes sociais e veículos de comunicação, também chamou a atenção das autoridades.

Durante a entrevista, o advogado Dr. Allah Góes explicou que o Ministério Público Estadual acompanha o caso e aguarda respostas da Prefeitura, enquanto o Ministério Público Federal atua em interlocução com a Polícia Federal dentro do processo investigativo.

Ao comentar os objetivos da denúncia, Alcântara afirmou que a prioridade é solucionar a situação enfrentada por estudantes da rede municipal. Segundo ele, visitas realizadas em escolas teriam identificado ausência ou insuficiência de alimentos destinados à merenda escolar. O vereador relatou que encontrou unidades com freezers e geladeiras vazios e alegou que, em alguns casos, alunos estariam recebendo alimentação reduzida.

O parlamentar associou a situação às dificuldades socioeconômicas do município e citou indicadores sociais e de emprego para defender que parte significativa da população depende da escola como espaço de segurança alimentar para crianças e adolescentes.

Questionado sobre críticas de ouvintes que demonstraram descrença quanto ao resultado das investigações, Alcântara afirmou confiar no trabalho da Polícia Federal e da CGU. Segundo ele, a apuração teria ultrapassado os limites de Ilhéus e alcançado outros municípios baianos, o que, em sua avaliação, demonstra a amplitude das investigações.

O advogado Dr. Allah Góes ressaltou que operações policiais dessa natureza demandam tempo para análise técnica do material apreendido. Segundo ele, a fase atual envolve o cruzamento de documentos, notas fiscais e contratos para verificar eventual comprovação de irregularidades e confirmar se os produtos contratados foram efetivamente entregues.

Outro ponto debatido na entrevista envolveu a justificativa apresentada por defensores da gestão municipal de que inconsistências em licitações seriam resultado de erros formais de digitação. Alcântara contestou essa versão e afirmou que a investigação conduzida por sua equipe identificou indícios de sobrepreço em contratos ligados à alimentação escolar.

Segundo o vereador, um dos mecanismos analisados envolve divergências entre produtos licitados por peso e posteriormente registrados por unidade em notas fiscais, mantendo valores originalmente previstos e elevando o custo final. Ele afirmou que a documentação examinada apontaria indícios de superfaturamento que chegariam a aproximadamente R$ 1,7 milhão.

Alcântara também rebateu declarações do prefeito Valderico Júnior, que classificou as críticas como motivadas por disputa política e garantiu a regularidade da merenda escolar. O vereador negou motivação eleitoral e afirmou que a fiscalização decorre do papel institucional da Câmara Municipal.

Ao longo da entrevista, o parlamentar fez críticas à administração municipal, apontando falhas em áreas como educação, infraestrutura urbana e meio ambiente. Ele confirmou ainda o rompimento político com o prefeito, embora ambos tenham sido eleitos pelo mesmo partido, e afirmou não existir possibilidade de reaproximação.

Questionado sobre futuro político, Alcântara declarou que pretende continuar concentrando esforços na fiscalização dos atos públicos e admitiu avaliar mudanças partidárias dentro do período legal conhecido como janela eleitoral.

Na reta final do programa, Dr. Allah Góes explicou aspectos legais relacionados às emendas impositivas, mecanismo previsto na legislação municipal que permite aos vereadores indicar parte da aplicação do orçamento público. Segundo o advogado, o descumprimento dessas normas pode gerar questionamentos jurídicos e, em determinadas circunstâncias, configurar improbidade administrativa.

Alcântara também mencionou uma ação movida pelo prefeito contra ele por suposta difamação e calúnia, afirmando que a decisão judicial foi favorável à sua defesa. Segundo o vereador, a sentença reconheceu a legitimidade das críticas direcionadas a atos administrativos no exercício da atividade política.

Ao encerrar a entrevista, Oziel Aragão reiterou que a emissora mantém espaço aberto para manifestação do prefeito Valderico Júnior sobre as acusações e informou que outros vereadores envolvidos nas denúncias sobre merenda escolar também deverão ser ouvidos nos próximos programas.


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