Principal commodity do agronegócio mineiro, o café in natura tira o sono de muitos produtores. A saca de 60 quilos, que em 2011 rompeu a barreira dos R$ 500, agora é vendida a R$ 300 – queda de 40%. Dependendo da região, o valor nem sequer cobre os custos com plantio, manutenção e colheita. Resultado: vários fazendeiros se endividaram e outros tantos abandonaram a lavoura. No meio da crise, porém, um nicho ganha força. Trata-se dos cafés especiais, cujo mercado segue o mesmo caminho já trilhado pelos bons vinhos. Tanto é assim que uma área formada por 55 cidades do Alto Paranaíba e do Triângulo Mineiro, cujos frutos são conhecidos como café do cerrado, foi a primeira região cafeeira do país a receber do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), em 31 de dezembro de 2013, a Denominação de Origem (DO). Na prática, o rótulo atesta que a área é especializada em uma mercadoria de excelente qualidade, a exemplo do que ocorre na França com os vinhos produzidos em Bordeaux e os espumantes de Champagne. "Café e vinho são produtos terroir, expressão francesa que envolve o solo, o homem e o "saber fazer". Isso significa que conseguimos alterar o sabor deles com esses três elementos", explica o engenheiro agrônomo e diretor de Marketing da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, acrescentando que o mercado dos grãos especiais conquista cada vez mais espaço, tanto no mercado interno quanto no externo. Sobretudo se comparado ao café tradicional, como reforça a diretora-executiva da Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), Vanusa Nogueira: "Enquanto o consumo do tradicional sobe de 2% a 2,5% ao ano, o do especial oscila de 10% a 15%".
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